Artigos

1) - CARL GUSTAV JUNG
2) - A PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL
3)- Alfabetização e Letramento


1)- CARL GUSTAV JUNG

Carl Gustav Jung foi um dos maiores psiquiatras do mundo. Fundador da escola analítica de Psicologia, ele introduziu termos como extroversão, introversão e o inconsciente coletivo.
Ele ampliou as visões psicanalíticas de Freud, interpretando distúrbios mentais e emocionais como uma tentativa do individuo de buscar a perfeição pessoal e espiritual.

Vida
Jung nasceu no dia 26 de julho de 1875, no vilarejo de Kesswil, na Suíça. Ele era o filho mais velho e o único a sobreviver. Filho de um pastor, Jung também tinha mais oito tios que eram pastores. O contato de Jung com a religião influenciou profundamente seu trabalho.

Quando Jung era criança, sua mãe desenvolveu um distúrbio nervoso, provavelmente por conseqüência das dificuldades que enfrentava em seu casamento, e foi hospitalizada por alguns meses.

Foi um dos maiores estudiosos da vida interior do homem e tomou a si mesmo como matéria prima de suas descobertas - suas experiências e suas emoções estão descritas no livro "Memórias, Sonhos e Reflexões".

Filho de um pastor protestante, Carl Gustav Jung, ainda pequeno, mudou-se para a cidade da Basiléia, na época um dos maiores centros de cultura da Europa. Lá realizou seus primeiros estudos. Formou-se em medicina pela Universidade da Basiléia, no ano de 1900, iniciando a seguir sua vida profissional no hospital psiquiátrico Burgholzi, em Zurique. Dois anos depois casou-se com Emma Rauschenbach, com quem teria cinco filhos.

Em 1903 publicou sua primeira obra, "Psicologia e Patologia dos Fenômenos ditos Ocultos", fruto de sua tese de doutoramento. Publicou nos anos seguintes mais três trabalhos, relacionadas à descoberta dos complexos afetivos e das significações nos sintomas das psicoses. Em 1905 tornou-se livre docente na Universidade de Zurique.

Em 1907 Jung visitou Sigmund Freud, o criador da psicanálise, em Viena, iniciando uma estreita colaboração com o mestre, que se mostrou impressionado com o talento do jovem discípulo. Os dois viajaram juntos aos Estados Unidos em 1909, proferindo palestras num centro de pesquisas. Em 1910 foi fundada a "Associação Psicanalítica Internacional", da qual Jung foi eleito presidente.

As primeiras divergências entre Jung e Freud surgiram em 1912 e logo se tornaram inconciliáveis. A partir do rompimento com Freud, o analista suíço vivenciou um período de depressão e introversão, que o levou a trilhar seu próprio caminho no campo da psicologia.

Em 1917, Jung publicou seus estudos sobre o inconsciente coletivo no livro "A Psicologia do Inconsciente" e, em 1920, apresentou os conceitos de introversão e extroversão na obra "Tipos Psicológicos". A partir daí, Jung construiu as bases da psicologia analítica, desenvolvendo a teoria dos arquétipos e incorporando conhecimentos das religiões orientais, da alquimia e da mitologia.

Sua produtiva carreira se materializou na publicação de dezenas de estudos, trabalhos, seminários e outras obras. Já octogenário, reuniu em livro as memórias de toda a sua vida. Carl Gustav Jung morreu aos 85 anos, como um dos mais influentes pensadores do século 20.



2) - A PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL

A Psicopedagogia Institucional coloca o profissional psicopedagogo para atuar com as dificuldades nos níveis de aprender tanto do " ensinante " como do " aprendente " dentro ou fora da instituição. Atuando nas condições de aprendizagem que ocorrem a nível externo e interno "... as externas , que definem o campo do estímulo, e as internas que definem o sujeito... podem estudar-se em seu aspecto dinâmico, como processos, e em seu aspecto estrutural como sistemas.

No caso das dificuldades do aprendente a investigação tem o foco na queixa realizada pela professora, que em primeiro lugar identifica a dificuldade de aprendizagem da criança. Depois é necessário ouvi a família, conhecer o histórico de vida dessa criança. A partir de então é necessário conhecer essa criança através de encontros dinâmicos e significativos, onde ela possa naturalmente se mostrar com seus avanços e dificuldades.

Entretanto, para tal fim , é necessário trabalhar em parceria com a profissional que está atuando com indivíduos que não estão conseguindo aprender, que estão com dificuldades de aprender, essa parceria requer a criação de um vínculo forte que permite a ausência de melindres para que de fato a intervenção psicopedagógica possa efetivamente obter resultados positivos para a criança. A atuação do PSICOPEDAGOGO não se restringe, desta maneira, a análise de grades curriculares e planejamentos de aulas, mas sim com a pessoa deste profissional em ativa relação com o seu saber adquirido no decorrer da sua vida , dando significado a sua prática, onde o objetivo maior é o de sanar as dificuldades do aprender da criança aliada a boa vontade do profissional aceitar e e ir busca de novas modalidades de ensinagem para atender a demanda da aprendizagem dessas crianças.

O problema de aprendizagem , diante do exposto, é um sintoma no sentido de que o não aprender não configura um quadro permanente, mas ingressa numa constelação peculiar de comportamentos, nos quais se destaca como sinal de dificuldade de aprendizagem no aluno que deverá ser analisada com o propósito de entender o significado que esta não-aprendizagem representa, sempre partindo do sintoma que pode acontecer de forma consciente, uma vez que o sujeito se comporta de uma determinada forma em virtude de elucidar o problema e que muitas vezes se manifesta na queixa do problema; ou de modo inconsciente, quando o sujeito age de maneira "não adequada" segundo padrões pré-estabelecidos seja pela família, escola ou sociedade ou mesmo quando somatiza em vista da dificuldade existente.

No caso de um sujeito em idade escolar, de acordo com Bossa (2002, p.48) “... o sintoma na aprendizagem escolar pode ser uma resistência sadia a algo que pode transformar-se em uma total violência à natureza humana”.

A criança percebe o mundo, interage e troca conhecimento, como todos nós, no entanto, não é ainda dotada de um poder de argumentação para se defender do que incomoda, ou para explicar o que não está bem, então a escola passa a ser o terreno da manifestação dos sintomas, já que na maioria das vezes, os pais são contatados pela escola, o que os faz dirigir suas atenções para a criança.

Ademais, quando falamos em aprendizagem, estamos falando do relacionamento que se dá entre o sujeito e o objeto de conhecimento e esse pode se dar de várias formas, inclusive de uma forma patológica, adotando um caráter de funcionamento neurótico, psicótico ou perverso.

De uma maneira ou de outra, é necessário que seja feita uma análise eficaz por parte do psicopedagogo, seja relacionada à sua atuação face a solucionar a dificuldade ou ao encaminhamento do sujeito para os profissionais adequados, o que obriga ao psicopedagogo atuar com responsabilidade e de maneira interdisciplinar, reconhecendo, inclusive, o não-saber e os limites da sua atuação, evitando uma atuação castradora.

Partindo desses pressupostos, não cabe ao psicopedagogo julgamentos precoces e equivocados e tão menos divisões de atitudes baseadas nos conceitos de certo/errado, mas sim, um olhar dirigido a um sujeito, que é único, peculiar e tem sua própria história e portanto suas atitudes ou falta delas são reflexo dessa constituição, mesmo inserido em um cenário social.

"A hipótese fundamental para avaliar o sintoma que nos ocupa é não considerá-lo como um significante de um significado monolítico e substancial, mas pelo contrário, entendê-lo como um estado particular de um sistema que, para equilibrar-se, precisou adotar este tipo de comportamento que mereceria um nome positivo, mas que caracterizamos como não-aprendizagem " afirma Paim.

3)- Alfabetização e Letramento


Alfabetização é o processo pelo qual se adquire o domínio de um código e das habilidades de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja: o domínio da tecnologia – do conjunto de técnicas – para exercer a arte e ciência da escrita. Ao exercício efetivo e competente da tecnologia da escrita denomina-se Letramento que implica habilidades várias, tais como: capacidade de ler ou escrever para atingir diferentes objetivos
A relação ensino-aprendizagem nem sempre é linear e direta: nem tudo que se ensina, se aprende, e às vezes aprendem-se coisas que não se pretendem ensinar.
OBSERVAÇÃO e da EXPLORAÇÃO de seu ambiente, que a criança constrói seu conhecimento, modifica situações, reestrutura seus esquemas de pensamento, interpreta e busca soluções para fatos novos o que favorece e muito o desenvolvimento intelectual da criança.
É na interação com seu dia-a-dia que a criança desenvolverá seus valores, sua crítica, sua postura de vida, além da aquisição do conhecimento.
Ao longo do processo de desenvolvimento a criança vai conhecendo suas habilidades e talentos, colocando-os em prática e identificando o seu valor.
Assim é que a criança aprende, captando habilidades pelos dedos da mão e dos pés para dentro de si. Absorvendo hábitos e atitudes dos que rodeiam, empurrando e puxando o seu próprio mundo. Assim é que a criança aprende, mais por experiência do que por erro, mais por prazer do que pelo sofrimento, mais pela experiência do que pela sugestão e a dissertação, e mais por sugestão do que por direção. E assim a criança aprende pela afeição, pelo amor, pela paciência, pela compreensão, por pertencer, por fazer e por ser. Dia a dia a criança passa, a saber, um pouco do que você sabe e um pouco mais do que você pensa e entende. Aquilo que você sonha e crê é, na verdade, o que essa criança está se tornando. Se você percebe confusa ou claramente, se pensa nebulosa ou agudamente, se acredita tola ou sabiamente, se sonha sonhos sem graça, ou dourados, se você mente ou diz a verdade, é assim que a criança aprende”.
Frederck Molffett

Os princípios psicopedagógicos

-        norteiam um ambiente estimulante e principalmente feliz para as crianças estão interrelacionados e são interdependentes:
v  auto-estima, motivação,
v  aprendizagem e
v  disciplina.

o desenvolvimento da criança ocorre eficazmente se prestarmos a devida atenção na relação pais e filhos.
No campo afetivo, pretendeu-se refletir em como ajudar as crianças a criar sentimentos positivos em relação a si mesma. Sentindo-se valiosa e segura, o êxito escolar estará garantido.
No campo cognitivo, recomenda-se enriquecer e ampliar o vocabulário da criança. A ênfase no aprendizado de novas palavras tem como objetivo possibilitar a obtenção de melhores resultados na escola e também ajudar a criança a ordenar o pensamento em função do mundo em que vive e fazê-la sentir-se capaz, aceita valiosa.
O desenvolvimento da criança ocorre eficazmente se prestarmos a devida atenção na relação pais e filhos.
No campo afetivo, pretendeu-se refletir em como ajudar as crianças a criar sentimentos positivos em relação a si mesma. Sentindo-se valiosa e segura, o êxito escolar estará garantido.
No campo cognitivo, recomenda-se enriquecer e ampliar o vocabulário da criança. A ênfase no aprendizado de novas palavras tem como objetivo possibilitar a obtenção de melhores resultados na escola e também ajudar a criança a ordenar o pensamento em função do mundo em que vive e fazê-la sentir-se capaz, aceita e valiosa.

Estilos de Aprendizagem

        é um método que uma pessoa usa para adquirir conhecimento. Cada indivíduo aprende do seu modo pessoal e único.
        não é o que a pessoa aprende e sim o modo como ela se comporta durante o aprendizado.
        ajudam a explicar porque uma criança pode aprender a dizer todo alfabeto após ler um livro de alfabetização, enquanto que outras podem aprender a mesma coisa brincando com Blocos de Construção que tenham letras, e ainda outras podem aprender o mesmo cantando músicas como a Canção do ABC.


Piaget acreditou e comprovou que o conhecimento vem das descobertas que a criança faz

Piaget criou um campo de investigação que denominou epistemologia genética – isto é, uma teoria do conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança. Segundo ele, o pensamento infantil passa por quatro estágios, desde o nascimento até o início da adolescência, quando a capacidade plena de raciocínio é atingida.
Para ele o conhecimento se dá por descobertas que a própria criança faz.
Assimilação e acomodação
Com Piaget, ficou claro que as crianças não raciocinam como os adultos e apenas gradualmente se inserem nas regras, valores e símbolos da maturidade psicológica. Essa inserção se dá mediante dois mecanismos: assimilação e acomodação.
O primeiro consiste em incorporar objetos do mundo exterior a esquemas mentais reexistentes. Por exemplo: a criança que tem a idéia mental de uma ave como animal voador, com penas e asas, ao observar um avestruz vai tentar assimilá-lo a um esquema que não corresponde totalmente ao conhecido. Já a acomodação se refere a modificações dos sistemas de assimilação por influência do mundo externo. Assim, depois de aprender que um avestruz não voa, a criança vai adaptar seu conceito “geral” de ave para incluir as que não voam.

Howard Gardner concluiu que há sete tipos de inteligência

1.Lógico-matemática é a capacidade de realizar operações numéricas e de fazer deduções.
2. Lingüística é a habilidade de aprender idiomas e de usar a fala e a escrita para atingir objetivos.
3. Espacial é a disposição para reconhecer e manipular situações que envolvam apreensões visuais.
4. Físico-cinestésica é o potencial para usar o corpo com o fim de resolver problemas ou fabricar produtos.
5. Interpessoal é a capacidade de entender as intenções e os desejos dos outros e conseqüentemente de se relacionar bem em sociedade.
6. Intrapessoal é a inclinação para se conhecer e usar o entendimento de si mesmo para alcançar certos fins.
7. Musical é a aptidão para tocar, apreciar e compor padrões musicais
    Mais tarde, Gardner acrescentou à lista as inteligências natural (reconhecer e classificar espécies da natureza) e existencial (refletir sobre questões fundamentais da vida humana) e sugeriu o agrupamento da interpessoal e da intrapessoal numa só.

Expansão dos horizontes mentais segundo Vygotsky

Como Piaget, Vygotsky não formulou uma teoria pedagógica, embora o pensamento do psicólogo bielo-russo, com sua ênfase no aprendizado, ressalte a importância da instituição escolar na formação do conhecimento. Para ele, a intervenção pedagógica provoca avanços que não ocorreriam espontaneamente. Ao formular o conceito de zona proximal, Vygotsky mostrou que o bom ensino é aquele que estimula a criança a atingir um nível de compreensão e habilidade que ainda não domina completamente, "puxando" dela um novo conhecimento. "Ensinar o que a criança já sabe desmotiva o aluno e ir além de sua capacidade é inútil", diz Teresa Rego. O psicólogo considerava ainda que todo aprendizado amplia o universo mental do aluno. O ensino de um novo conteúdo não se resume à aquisição de uma habilidade ou de um conjunto de informações, mas amplia as estruturas cognitivas da criança. Assim, por exemplo, com o domínio da escrita, o aluno adquire também capacidades de reflexão e controle do próprio funcionamento psicológico.

Para pensar
Vygotsky atribuiu muita importância ao papel do professor como impulsionador do desenvolvimento psíquico das crianças. A idéia de um maior desenvolvimento conforme um maior aprendizado não quer dizer, porém, que se deve apresentar uma quantidade enciclopédica de conteúdos aos alunos. O importante, para o pensador, é apresentar às crianças formas de pensamento, não sem antes detectar que condições elas têm de absorvê-las. E você? Já pensou em elaborar critérios para avaliar as habilidades que seus alunos já têm e aquelas que eles poderão adquirir? Percebe que certas atividades estimulam as crianças a pensar de um modo novo e que outras não despertam o mesmo entusiasmo?

Emilia Ferreiro
A psicolingüista argentina desvendou os mecanismos pelos quais as crianças aprendem a ler e escrever, o que levou os educadores a reverem radicalmente seus métodos

Tanto as descobertas de Piaget como as de Emilia levam à conclusão de que as crianças têm um papel ativo no aprendizado. Elas constroem o próprio conhecimento – daí a palavra construtivismo. A principal implicação dessa conclusão para a prática escolar é transferir o foco da escola – e da alfabetização em particular – do conteúdo ensinado para o sujeito que aprende, ou seja, o aluno.
Segundo Emilia, a construção do conhecimento da leitura e da escrita tem uma lógica individual, embora aberta à interação social, na escola ou fora dela. No processo, a criança passa por etapas, com avanços e recuos, até se apossar do código lingüístico e dominá-lo. O tempo necessário para o aluno transpor cada uma das etapas é muito variável

“Emilia mostrou que a construção do conhecimento se dá por seqüências de hipóteses

De acordo com a teoria exposta em Psicogênese da Língua Escrita, toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada:

pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada;
silábica: interpreta a letra a sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada uma;
silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas;
alfabética: domina, enfim, o valor das letras e sílabas.

O princípio de que o processo de conhecimento por parte da criança deve ser gradual corresponde aos mecanismos deduzidos por Piaget, segundo os quais cada salto cognitivo depende de uma assimilação e de uma reacomodação dos esquemas internos, que necessariamente levam tempo. É por utilizar esses esquemas internos, e não simplesmente repetir o que ouvem, que as crianças interpretam o ensino recebido. No caso da alfabetização, isso implica uma transformação da escrita convencional dos adultos. Para o construtivismo, nada mais revelador do funcionamento da mente de um aluno do que seus supostos erros, porque evidenciam como ele “releu” o conteúdo aprendido. O que as crianças aprendem não coincide com aquilo que lhes foi ensinado.
Segundo Emilia Ferreiro, a alfabetização também é uma forma de se apropriar das funções sociais da escrita. De acordo com suas conclusões, desempenhos díspares apresentados por crianças de classes sociais diferentes na alfabetização não revelam capacidades desiguais, mas o acesso maior ou menor a textos lidos e escritos desde os primeiros anos de vida.

O Método Paulo Freire consiste numa proposta para a alfabetização de adultos desenvolvida pelo educador Paulo Freire, que criticava o sistema tradicional, o qual utilizava a cartilha como ferramenta central da didática para o ensino da leitura e da escrita. As cartilhas ensinavam pelo método da repetição de palavras soltas ou de frases criadas de forma forçosa, que comumente se denomina como linguagem de cartilha, por exemplo Eva viu a uva, o boi baba, a ave voa, dentre outros.

Etapas do método

Etapa de Investigação: busca conjunta entre professor e aluno das palavras e temas mais significativos da vida do aluno, dentro de seu universo vocabular e da comunidade onde ele vive.
Etapa de Tematização: momento da tomada de consciência do mundo, através da análise dos significados sociais dos temas e palavras.
Etapa de Problematização: etapa em que o professor desafia e inspira o aluno a superar a visão mágica e acrítica do mundo, para uma postura conscientizada.
O método
As palavras geradoras: o processo proposto por Paulo Freire inicia-se pelo levantamento do universo vocabular dos alunos. Através de conversas informais, o educador observa os vocábulos mais usados pelos alunos e a comunidade, e assim seleciona as palavras que servirão de base para as lições. A quantidade de palavras geradoras pode variar entre 18 a 23 palavras, aproximadamente. Depois de composto o universo das palavras geradoras, elas são apresentadas em cartazes com imagens. Então, nos círculos de cultura inicia-se uma discussão para significá-las na realidade daquela turma.
A silabação: uma vez identificadas, cada palavra geradora passa a ser estudada através da divisão silábica, semelhantemente ao método tradicional. Cada sílaba se desdobra em sua respectiva família silábica, com a mudança da vogal. (i.e., BA-BE-BI-BO-BU)
As palavras novas: o passo seguinte é a formação de palavras novas. Usando as famílias silábicas agora conhecidas, o grupo forma palavras novas.
A conscientização: um ponto fundamental do método é a discussão sobre os diversos temas surgidos a partir das palavras geradoras. Para Paulo Freire, alfabetizar não pode se restringir aos processos de codificação e decodificação. Dessa forma, o objetivo da alfabetização de adultos é promover a conscientização acerca dos problemas cotidianos, a compreensão do mundo e o conhecimento da realidade social.

As fases de aplicação do método
Freire propõe a aplicação de seu método nas cinco fases seguintes:[1]
1ª fase: Levantamento do universo vocabular do grupo. Nessa fase ocorrem as interações de aproximação e conhecimento mútuo, bem como a anotação das palavras da linguagem dos membros do grupo, respeitando seu linguajar típico.
2ª fase: Escolha das palavras selecionadas, seguindo os critérios de riqueza fonética, dificuldades fonéticas - numa seqüência gradativa das mais simples para as mais complexas, do comprometimento pragmático da palavra na realidade social, cultural, política do grupo e/ou sua comunidade.
3ª fase: Criação de situações existenciais características do grupo. Trata-se de situações inseridas na realidade local, que devem ser discutidas com o intuito de abrir perspectivas para a análise crítica consciente de problemas locais, regionais e nacionais.
4ª fase: Criação das fichas-roteiro que funcionam como roteiro para os debates, as quais deverão servir como subsídios, sem no entanto seguir uma prescrição rígida.
5ª fase: Criação de fichas de palavras para a decomposição das famílias fonéticas correspondentes às palavras geradoras.

Segundo os construtivistas, não se aprende por pedacinhos, mas por mergulhos em conjuntos de problemas que envolvem vários conceitos simultaneamente. No caso da alfabetização, utilizar textos do cotidiano é muito mais produtivo do que seguir uma cartilha. Isso não quer dizer que o ensino não deva ser objeto de planejamento e sistematização.

O brincar permite o diálogo verbal e não verbal do corpo e da psique. Através do brincar a criança vive e deixa emergir uma dimensão inconsciente por meio da liberação dos afetos. Brincando ela dá forma ao afeto recebido dos pais e cria o seu próprio afeto, por meio de representações inconscientes. (Afeto = conteúdos emocionais recebidos e registrados na memória inconsciente e consciente).

O prazer de aprender começa bem cedo quando a criança com quase um ano começa a se apoiar para buscar ficar em pé sozinha, sem a ajuda dos pais ou qualquer adulto do seu lado. Realizando tentativas e caindo, ela estará aproveitando a aprendizagem postural e as compensações. Buscando posições de segurança e equilíbrio, ela vai tomando consciência do desencadeamento postural. A repetição na aprendizagem é fundamental porque através de uma dinâmica de prazer a criança vai aos poucos, memorizar o movimento e as posturas, o que vai permitir ela se apoiar nos pés e conseguir a tensão tônica suficiente para dizer: - Eu consigo; eu existo.
Assim como a criança encontra a segurança afetiva através do brincar, ela vai conquistando, aos poucos, o mundo em função da sua ação. Para descobrir o que está no alto. ela vai estender o próprio corpo para alcançar o que quer.



Texto Com Sentido
Andréa Luize
Abandonar as chatas cartilhas, as famílias silábicas e enxergar o erro como expressão do processo de aprendizagem foram as principais inovações da Escola da Vila

As idéias construtivistas acerca do processo de alfabetização vêm sendo cada vez mais divulgadas: as práticas tradicionais não mais encontram espaço onde se busca uma alfabetização atualizada e de qualidade.
não basta ter o domínio do código alfabético - saber codificar e decodificar um texto: é preciso conhecer a diversidade de textos que circulam socialmente, suas funções e também os procedimentos adequados para interpretá-los e produzi-los. O processo de alfabetização, assim entendido, estende-se ao longo de toda a escolaridade e tem início muito antes do ingresso da criança na escola, em suas primeiras tentativas de compreender o universo letrado que a rodeia. Também implica tomar como ponto de partida o texto, pois este, sim, é revestido de função social - e não mais as palavras ou muito menos as sílabas sem sentido.

Escrita espontânea

O domínio sobre o código alfabético e o trabalho com a produção de textos

Compreendeu-se que a criança, desde muito cedo, possui hipóteses em relação à forma como se escreve. Colocá-las em prática, confrontando-as com as idéias dos colegas e com modelos permite que avance até a conquista da escrita convencional.

Diferenciação entre escrita e linguagem escrita, consideradas, ambas, parte de um mesmo processo, o processo de alfabetização.

Para Teberosky, a escrita deve ser entendida como um sistema de notação, que no caso da língua portuguesa é alfabético (conhecer as letras, sua organização, sinais de pontuação, letra maiúscula, ortografia etc.). A linguagem escrita é definida como as formas de discurso, as condições e situações de uso nas quais a escrita possa ser utilizada (cartas, notícias, relatos científicos etc.).

      1. Em primeiro lugar, era preciso tomar por base o texto, e não mais as palavras-chaves, como o modelo que permitirá à criança construir conhecimentos sobre a escrita e suas formas de representação. O texto deveria ser o elemento fundamental para inserir a criança no universo letrado!
      2. O trabalho com modelos, que permitem às crianças confrontarem suas hipóteses com o convencional, passou a ser considerado.
      3. Listas de palavras de um mesmo campo semântico           (animais, comidas prediletas, personagens de gibi, brinquedos, jogos favoritos, nomes das crianças do grupo etc.), das parlendas e de outros textos,









Considerações de:
                                                                                                                                               Fátima Santos

Nenhum comentário:

Postar um comentário